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LipedemaPublicação científicaAesthetic Plastic Surgery · Springer

Seroma após lipoaspiração para lipedema: estudo publicado com 93 pacientes

Estudo publicado na Aesthetic Plastic Surgery analisa 93 pacientes submetidas à lipoaspiração para lipedema e identifica fatores associados ao seroma pós-operatório.

FAAmato F.C.M., Amato L.G.L., Amato A.C.M., Benitti D.A. Publicado online em 4 de maio de 2026 8 min de leitura

Artigo científico original

Postoperative Seroma in Lipedema Surgery: A Retrospective Analysis of 93 Cases from a Single Surgical Team

Aesthetic Plastic Surgery. 2026;50(13):5164–5170 · DOI: 10.1007/s00266-026-05774-7 · PMID: 42082660. Esta página apresenta uma síntese em português; o acesso à publicação original é feito pelo DOI ou PubMed.

93

pacientes

18,3%

com seroma

4,5 L

volume aspirado médio

80,6%

sedação + anestesia local

A lipoaspiração é hoje a intervenção mais eficaz no controle do lipedema — uma doença crônica do tecido adiposo que afeta principalmente mulheres, causando dor, edema e prejuízo funcional. Mas, como toda cirurgia, ela tem complicações. Nosso estudo, publicado em Aesthetic Plastic Surgery (Springer / ISAPS, 2026), analisou 93 pacientes operadas pela nossa equipe entre 2019 e 2024 para entender quem realmente tem risco de desenvolver seroma pós-operatório.

Primeira página do artigo Postoperative Seroma in Lipedema Surgery, com título, autores e resumo
Primeira página usada para identificar a publicação: título, autores e resumo do artigo em Aesthetic Plastic Surgery. DOI: 10.1007/s00266-026-05774-7.

O que é o seroma — e por que importa

O seroma é um acúmulo de líquido seroso nos espaços teciduais após cirurgia. No lipedema, ele não costuma colocar a vida em risco, mas pode atrasar a recuperação, exigir punções e impactar o resultado final. Identificar quais pacientes têm maior risco é essencial para planejar melhor cada cirurgia.

Como o estudo foi feito

  • Estudo observacional retrospectivo, unicêntrico
  • 93 pacientes mulheres com lipedema, operadas entre abril/2019 e janeiro/2024
  • Aprovação ética: CAAE 86155524.0.0000.5455
  • Variáveis analisadas: idade, IMC, estágio clínico, tipo de anestesia, volume aspirado, % do peso corporal removido, tecnologias adjuvantes (ultrassom, laser, radiofrequência) e procedimentos associados
  • Desfecho primário: ocorrência de seroma pós-operatório

O que encontramos

Das 93 pacientes, 17 (18,3%) desenvolveram seroma. Houve 1 infecção e 1 hematoma, cada evento correspondendo a 1,07% da amostra. Não foram observados eventos adversos maiores como trombose venosa profunda, embolia pulmonar, necrose tecidual ou anemia grave.

Três fatores de risco independentes para seroma

A análise de regressão logística multivariada identificou três preditores independentes:

  • Volume aspirado relativo ao peso corporal — cada 1% a mais aumentou as chances de seroma em ~1,6x (OR 1,58; IC95% 1,02–2,43; p = 0,040)
  • Procedimentos menores associados — pacientes com cirurgia concomitante tiveram risco quase 7x maior (OR 6,77; IC95% 1,70–26,97; p = 0,007)
  • Estágio clínico do lipedema — risco 3,57x maior por estágio (IC95% 1,22–10,46; p = 0,021)

IMC, idade, tipo de anestesia e número de sessões cirúrgicas não foram preditores significativos. A associação com estágio clínico deve ser interpretada com cautela: havia poucos casos nos estágios extremos e possível sobreposição entre estágios II e III, de modo que os próprios autores classificam esse achado como exploratório.

Nenhuma paciente operada com lipoaspiração assistida por ultrassom desenvolveu seroma — ainda que essa diferença não tenha atingido significância estatística e deva ser tratada como hipótese a ser confirmada.

Ultrassom: um sinal promissor

Das 14 pacientes tratadas com lipoaspiração ultrassônica (Lipossound), zero apresentaram seroma, contra 17 de 76 (18,4%) no grupo sem ultrassom (p = 0,065). O subgrupo é pequeno e o achado é exploratório, mas é consistente com a literatura que sugere que o ultrassom promove emulsificação uniforme, melhora a retração tecidual e pode preservar melhor as estruturas linfáticas.

O que isso muda na prática

  • Planejar o volume relativo ao peso corporal com cuidado:o risco de seroma aumentou à medida que cresceu a porcentagem do peso corporal aspirada; no modelo multivariado, cada 1% adicional esteve associado a OR 1,58 (IC95% 1,02–2,43; p = 0,040). O estudo não estabelece um ponto de corte universal de 7%
  • Pesar bem cirurgias associadas: mesmo procedimentos menores, somados à lipo de lipedema, multiplicam o risco
  • Considerar tecnologias adjuvantes: o ultrassom mostrou um sinal protetor que reforça nossa prática de usá-lo em casos selecionados
  • Manter vigilância prolongada: a maioria dos seromas foi diagnosticada após a segunda semana. No estudo, todas as pacientes tiveram seguimento de pelo menos um mês, e o uso sistemático de ultrassom no acompanhamento pode ter aumentado a detecção de seromas

Conclusão

A lipoaspiração para lipedema continua sendo segura e eficaz, com taxa muito baixa de complicações graves. O seroma é a complicação mais frequente e está ligado, principalmente, ao volume aspirado, à presença de cirurgias associadas e ao estágio clínico da doença. Esses achados nos ajudam a individualizar cada plano cirúrgico — e apontam o ultrassom como uma tecnologia que merece estudos prospectivos dedicados.

Como citar

Amato FCM, Amato LGL, Amato ACM, Benitti DA. Postoperative Seroma in Lipedema Surgery: A Retrospective Analysis of 93 Cases from a Single Surgical Team. Aesthetic Plastic Surgery. 2026;50(13):5164–5170. DOI: 10.1007/s00266-026-05774-7. PMID: 42082660.

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