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Nódulos de lipedema: o que são e como aparecem na cirurgia — caso real com laudo anatomopatológico

Nódulos de lipedema explicados pelo Dr. Fernando Amato: aspecto cirúrgico, vídeo do material retirado e laudo anatomopatológico (esteatonecrose com calcificação e fibrose) de um caso real.

FADr. Fernando Amato 27 de fevereiro de 2026 6 min de leitura

Atenção: este artigo contém imagens cirúrgicas reais (tecido removido durante cirurgia) que podem causar desconforto.

Um dos sinais mais característicos do lipedema são os chamados nódulos de lipedema: pequenas formações palpáveis no tecido gorduroso de coxas, culotes, joelhos e braços, que dão à pele aquela sensação de “bolinhas” ou “grãos” por baixo. Eles estão entre os achados que mais ajudam a diferenciar o lipedema de obesidade comum, celulite e linfedema.

O que são os nódulos de lipedema

No lipedema, o tecido adiposo se organiza de forma anormal: os adipócitos hipertrofiam, há inflamação crônica de baixo grau, microangiopatia e fibrose progressiva entre os lóbulos de gordura. Com o tempo, esses lóbulos doentes formam estruturas firmes, arredondadas e independentes — os nódulos. Em estágios mais avançados, podem coalescer em massas maiores, gerar áreas de esteatonecrose (morte da gordura), calcificação e cápsulas fibrosas espessas.

Ao toque, são percebidos como “caroços” móveis, às vezes dolorosos, distribuídos preferencialmente em culote, face interna das coxas, joelhos e braços — sempre poupando mãos e pés, padrão clássico do lipedema.

Pré e pós-operatório de cirurgia de lipedema

Resultado de paciente operada pelo Dr. Fernando Amato. À esquerda, o pré-operatório, com perna acometida pelo lipedema — contorno alargado, perda da definição do tornozelo e aspecto característico da doença. À direita, o pós-operatório, com redução de volume, recuperação do contorno anatômico e melhora expressiva da silhueta da perna.

Pré e pós-operatório de cirurgia de lipedema — comparativo lado a lado das pernas
Pré (esquerda) e pós-operatório (direita) de cirurgia de lipedema — caso real do Dr. Fernando Amato. Resultados variam de paciente para paciente.

Como eles aparecem durante a cirurgia

Diferentemente da gordura aspirada numa lipoaspiração estética convencional — homogênea, amarelada e fluida —, no lipedema é comum removermos fragmentos sólidos, lobulados, esbranquiçados, às vezes com áreas de gordura amarelada típica misturadas a tecido fibroso e calcificado. Esses fragmentos são exatamente os nódulos descritos pelas pacientes.

Nódulos de lipedema removidos cirurgicamente — fragmentos lobulados esbranquiçados sobre compressa
Conjunto de nódulos removidos em uma única paciente: fragmentos firmes, lobulados, com mistura de gordura amarelada e tecido esbranquiçado/fibroso.
Detalhe dos nódulos de lipedema mostrando aspecto lobulado e áreas de necrose gordurosa
Detalhe: note o aspecto multilobulado, com áreas mais densas e esbranquiçadas correspondendo à fibrose e à esteatonecrose.
Cirurgião manipulando nódulo de lipedema com pinça anatômica para inspeção
Inspeção intraoperatória: ao cortar, observa-se conteúdo pastoso esbranquiçado no interior dos nódulos maiores — o material que o laudo descreve como cavidade preenchida por gordura necrosada e calcificações.
Vídeo intraoperatório: nódulo retirado de paciente com lipedema — comportamento sólido, completamente distinto da gordura convencional aspirada.
Outra visão dos nódulos de lipedema removidos
Material cirúrgico ao lado dos nódulos de lipedema removidos

O laudo anatomopatológico desse caso

Todo material retirado em cirurgia é encaminhado para exame anatomopatológico — tanto para documentar a doença quanto para descartar outras causas. Neste caso, o laudo descreve com precisão o que se vê na cirurgia:

Laudo anatomopatológico de nódulo de lipedema em culote esquerdo: esteatonecrose com extensa calcificação e fibrose, sem sinais de malignidade
Laudo anatomopatológico do nódulo retirado (culote esquerdo).
  • Material: partes moles — culote esquerdo.
  • Dados clínicos: lipedema; nódulo em culote esquerdo.
  • Diagnóstico: quadro histológico favorece esteatonecrose com extensa calcificação e fibrose.
  • Microscopia: sem sinais histológicos de malignidade.
  • Macroscopia: um fragmento ovalado, 3,8 × 2,7 × 2 cm, superfície externa lobulada branco-amarelada; ao corte, cavidade ampla preenchida por material pastoso esbranquiçado, com áreas calcificadas medindo 3,6 cm.

Esse achado confirma o que a clínica já sugeria: nódulo benigno, com necrose gordurosa, calcificação e fibrose — exatamente o padrão evolutivo descrito para nódulos de lipedema em estágios mais avançados. Esse padrão histológico é importante porque ajuda a afastar causas como neoplasias dos tecidos moles e valida a indicação cirúrgica.

Por que esses nódulos importam no tratamento

  • Dor e desconforto: nódulos fibrosados são uma das principais causas de dor localizada no lipedema avançado.
  • Falha do tratamento clínico isolado: dieta, exercício, drenagem e meia de compressão ajudam, mas não dissolvem nódulos já fibrosados/calcificados.
  • Indicação cirúrgica: a lipoaspiração específica para lipedema (técnica tumescente + vibrolipo) busca remover esses nódulos respeitando o limite de 5–7% do peso corporal por sessão. Em casos com excesso de pele, associa-se dermolipectomia (cruroplastia, braquioplastia).
  • Documentação obrigatória: sempre encaminhar o material para exame anatomopatológico — é parte do cuidado.

Mensagem para a paciente

Se você sente “caroços” dolorosos em coxas, culotes, joelhos ou braços, que não somem com dieta nem com exercício, e que pioram com o tempo, isso pode ser muito mais do que celulite ou gordura comum. Procure avaliação com cirurgião plástico experiente em lipedema: o diagnóstico precoce e o plano correto mudam a evolução da doença.


Fernando C. M. Amato (CRM SP 133826) é cirurgião plástico formado pela Unifesp, Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). As imagens e o laudo deste artigo são de caso real, utilizados com autorização e fins educativos. Conteúdo informativo — não substitui consulta médica.

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