
O lipedema é o acúmulo desproporcional de gordura nos braços, coxas e pernas. Apesar de afetar predominantemente mulheres, ainda é frequentemente confundido com insuficiência venosa, linfedema e obesidade — e por isso permanece subdiagnosticado. Quando a lipoaspiração é indicada nesses casos, ela não é um procedimento estético: é parte do tratamento médico da doença.
Como reconhecer o lipedema
Além do acúmulo de gordura, são típicos do lipedema:
- Equimoses (os “roxinhos”) que surgem com facilidade pela ruptura de pequenos vasos
- Sensibilidade e dor ao toque nas pernas e braços
- Sensação de peso e cansaço nas pernas
- Fadiga e comprometimento da mobilidade
Os principais diagnósticos diferenciais são insuficiência venosa, linfedema e obesidade.
O tratamento começa antes da cirurgia
O tratamento convencional envolve, principalmente, mudança de estilo de vida — alimentação equilibrada e rica em nutrientes, atividade física sem impacto, fisioterapia, drenagem linfática e uso de meias de compressão. Esses pilares ajudam a controlar o peso e reduzir o acúmulo de gordura nas áreas afetadas.
Somente depois de tentar o tratamento clínico — e, de preferência, apresentando alguma melhora, mesmo que parcial — pode ser indicada a lipoaspiração. É fundamental que o cirurgião plástico respeite os limites de gordura a serem retirados na cirurgia, que devem ficar entre 5% e 7% do peso corporal da paciente.
Vibrolipoaspiração: a técnica usada no lipedema
A lipoaspiração é um procedimento antigo e minimamente invasivo para a retirada mecânica da gordura superficial. No lipedema, usamos a técnica tumescente: injeta-se soro fisiológico com adrenalina e anestésico, o que solta melhor a gordura, gera vasoconstrição, reduz o sangramento e protege o procedimento.
Para potencializar esses movimentos, utilizamos aparelhos vibratórios — a vibrolipoaspiração (vibrolipo). Eles ajudam a soltar as fibroses sem exigir a movimentação ampla da lipoaspiração clássica, facilitando posições do cirurgião na perna, onde nem sempre há um ângulo confortável para trabalhar.
Quando a lipo não basta: dermolipectomia e tecnologias
O tratamento cirúrgico não se limita à lipoaspiração. Pacientes em estágios mais avançados costumam ter muito excesso de pele e podem precisar de uma dermolipectomia — ressecção em bloco de pele e gordura. Nas coxas, a cirurgia é chamada de cruroplastia; nos braços, de braquioplastia.
Quando há pouca pele na região interna da coxa, insuficiente para uma dermolipectomia, é possível recorrer a tecnologias que tratam a flacidez residual: LASER e radiofrequência promovem lipólise (destruição da gordura) e estimulam a produção de colágeno.
Doença inflamatória pede parcimônia
Como o lipedema é uma doença inflamatória, todas essas opções precisam ser avaliadas e utilizadas com muita parcimônia. O estímulo de colágeno envolve trauma local, destruição tecidual e inflamação — fatores que podem causar efeitos indesejados e até piorar os sintomas do lipedema. Converse com o seu médico para definirem juntos um caminho seguro para o tratamento.
Fernando C. M. Amato (CRM SP 133826) é cirurgião plástico formado pela Unifesp, Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Texto publicado originalmente na Revista CARAS, edição 1.556 (01/09/2023), coluna de Saúde.