Clitoromegalia é o termo médico para o aumento do clítoris acima do tamanho considerado normal (glande maior que 10 mm na mulher adulta). Pode ser congênita (presente desde o nascimento) ou adquirida (desenvolvida ao longo da vida). O diagnóstico diferencial é essencial — antes de pensar em cirurgia, é preciso entender por que o clítoris está aumentado.
Definição e medidas de referência
O tamanho normal da glande do clítoris em adultas situa-se entre 3,7 mm e 10 mm. Acima disso, considera-se clitoromegalia. Em recém-nascidas e crianças há tabelas específicas de referência por idade — a avaliação na infância exige protocolo endocrinológico.
Causas — diagnóstico diferencial
Causas congênitas
- Hiperplasia adrenal congênita (HAC) — deficiência da 21-hidroxilase é a forma clássica; produz excesso de androgênios desde a vida fetal.
- Distúrbios do desenvolvimento sexual — síndromes raras que envolvem cromossomos e diferenciação gonadal.
- Exposição materna a androgênios na gestação — uso inadvertido de medicações androgênicas.
Causas adquiridas
- Uso de testosterona ou anabolizantes — causa mais frequente de clitoromegalia adquirida em consultório hoje, ligada ao crescimento do uso de hormônios em academias.
- SOP em forma hiperandrogênica — clitoromegalia leve a moderada pode acompanhar hirsutismo e acne.
- Tumores produtores de androgênios — ovarianos (arrenoblastoma) ou adrenais. Crescimento rápido do clítoris em mulher adulta exige investigação imediata.
- Síndrome de Cushing e outras endocrinopatias.
Como é o investigação clínica
A investigação combina:
- Anamnese: idade de início, velocidade do crescimento, uso de hormônios, ciclo menstrual, fertilidade.
- Exame físico: medida da glande do clítoris, avaliação de pelos (escala de Ferriman-Gallwey), acne, distribuição de gordura corporal.
- Laboratório: testosterona total e livre, SHBG, DHEA-S, 17-OH-progesterona, prolactina, TSH, cortisol.
- Imagem: ultrassom pélvico (ovários policísticos, tumores ovarianos); ressonância de adrenais se DHEA-S elevado.
- Genética / cariótipo: em casos congênitos ou com ambiguidade genital.
Tratamento
1. Tratar a causa. Suspender anabolizantes, controlar a SOP, repor cortisol na HAC, ressecar tumor produtor de androgênio. Parte do aumento do clítoris pode regredir.
2. Cirurgia (clitoroplastia). Indicada quando o aumento persiste após o tratamento da causa, quando a causa é anatômica, ou quando o desconforto físico e psicológico é significativo. As técnicas modernas — clitorotomia subcutânea e clitoropexia — reduzem o volume preservando o feixe vásculo-nervoso dorsal do clítoris, mantendo a sensibilidade.
Quando procurar avaliação
Crescimento recente, sintomas associados (alterações menstruais, pelos, voz, acne severa) ou desconforto persistente são indicações claras para avaliação especializada. A abordagem ideal é multidisciplinar — ginecologista, endocrinologista e cirurgião plástico atuando juntos.
Perguntas frequentes
O que é clitoromegalia?
Clitoromegalia é o termo médico para clítoris aumentado — glande maior que 10 mm em adultas ou desproporcional ao desenvolvimento na infância. Pode ser congênita ou adquirida.
Quais são as principais causas de clitoromegalia?
As causas mais comuns são: variação anatômica individual; uso de testosterona ou anabolizantes; síndrome dos ovários policísticos (SOP); hiperplasia adrenal congênita; tumores produtores de androgênios (raros); e distúrbios do desenvolvimento sexual.
Como é feito o diagnóstico diferencial?
Combina exame físico, anamnese (uso de hormônios, idade de início), dosagens hormonais (testosterona, DHEA-S, 17-hidroxiprogesterona, SHBG), ultrassom pélvico e, em casos selecionados, ressonância de adrenais ou cariótipo.
Clitoromegalia tem cura?
Quando há causa hormonal, o tratamento dessa causa (suspensão do anabolizante, controle da SOP, reposição na hiperplasia adrenal) pode reduzir parcialmente o clítoris. Quando a causa é anatômica ou o aumento persiste, a clitoroplastia oferece correção definitiva.
A cirurgia de redução do clítoris é segura?
Sim, quando realizada por cirurgião plástico experiente em cirurgia íntima. As técnicas modernas (clitorotomia subcutânea, clitoropexia) preservam o feixe vásculo-nervoso dorsal, mantendo a sensibilidade e a capacidade de orgasmo.
Atendimento em São Paulo
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