A cirurgia de ginecomastia é uma das mais realizadas em homens jovens no mundo. Apesar de ser geralmente segura, complicações como seroma e hematoma ainda preocupam cirurgiões e pacientes. Para reduzir o espaço morto após a adenectomia, duas estratégias se destacam: os pontos de adesão (quilting sutures) e o dreno de sucção a vácuo. Mas qual deles funciona melhor? Nosso estudo, publicado em Aesthetic Plastic Surgery (Springer / ISAPS, 2025), comparou as duas técnicas em um ensaio clínico randomizado.

O problema do espaço morto
Após a retirada da glândula mamária, fica um espaço entre a pele e o músculo peitoral. Esse espaço — chamado de espaço morto — favorece o acúmulo de sangue (hematoma) e líquido seroso (seroma). Tradicionalmente, usa-se um dreno a vácuo para esvaziar essa coleção até a cicatrização. Mas drenos incomodam, limitam o banho e exigem retorno ao consultório para retirada.
A alternativa é o ponto de adesão (quilting): pontos internos que colam a pele ao músculo, eliminando o espaço morto sem precisar de dreno externo. A técnica já tinha bons resultados em abdominoplastia — restava saber se funcionaria também na ginecomastia.
Como o estudo foi feito
- Estudo clínico randomizado, prospectivo, longitudinal
- 38 pacientes operados de ginecomastia (técnica de Webster)
- Grupo 1 (n = 20): 8 pontos de adesão com Vicryl 3-0 dispostos em padrão circular, sem dreno
- Grupo 2 (n = 18): dreno de sucção Hemovac 4.8, sem pontos de adesão
- Seguimento clínico + ultrassom 14–21 dias após a cirurgia
- Coleções > 10 mL ou com sintomas eram puncionadas
- Aprovação ética Unifesp (CAAE 40070414.3.0000.5505)

O que encontramos
Oito pacientes do Grupo 1 (40%) e cinco do Grupo 2 (28%) desenvolveram alguma coleção líquida — sem diferença estatisticamente significante entre os grupos. Nenhum caso exigiu correção cirúrgica de hematoma ou seroma. Os drenos pareceram ter discreta vantagem na prevenção de seroma, mas sem significância estatística.

Outras observações importantes
- Idade média semelhante (23,1 vs 28,6 anos) e IMC sem diferença entre os grupos
- Lipoaspiração e ressecção de pele associadas não foram preditores significativos de coleção
- Complicações no complexo aréolo-papilar: 11,1% no grupo dreno, 0% no grupo quilting
- Reoperação: 5,6% (dreno) vs 20% (quilting) — diferença numérica relevante, mas sem significância estatística no n estudado

Este estudo não mostrou diferença entre dreno e pontos de adesão para prevenir seroma ou hematoma na correção da ginecomastia. As duas técnicas são efetivas — a escolha pode ser individualizada conforme o caso e a preferência do paciente.
O que isso muda na prática
- Liberdade técnica: o cirurgião pode escolher entre dreno ou quilting sem comprometer a segurança do paciente
- Conforto pós-operatório: pacientes que querem evitar dreno (mais ativos, jovens, com retorno rápido ao trabalho) podem optar pelo quilting
- Casos específicos: ressecções amplas ou Simon III com grande descolamento ainda podem se beneficiar do dreno
- Decisão compartilhada: a conversa pré-operatória ganha um novo elemento — explicar prós e contras de cada abordagem com base em evidência
Conclusão
Pontos de adesão e dreno de sucção foram igualmente eficazes na prevenção de seroma e hematoma após adenectomia para ginecomastia. A escolha entre as técnicas pode ser feita com base no perfil do paciente, na extensão da cirurgia e na preferência do cirurgião — sem prejuízo de segurança.
Como citar
Amato FCM, Sabino Neto M, Trincado MM, Pincovsky de Lima PMG, Aivazoglou LU, Velloni FG, Felix GAA, Ferreira LM. Quilting Sutures and Suction Drains in Preventing Postoperative Complications in Gynecomastia Surgery. Aesthetic Plastic Surgery (2025). DOI: 10.1007/s00266-025-04893-x.