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Ptose mamária: o que é, como é classificada e qual é o tratamento

Ptose mamária: entenda o que é, como os graus são classificados e quando mastopexia, prótese ou mamoplastia podem ser indicadas.

FADr. Fernando AmatoCRM-SP 133826 10 de julho de 2026 9 min de leitura Revisado por médico
ilustração didática da ptose mamária com posição da mama e do mamilo
Ptose mamária: a posição do mamilo em relação ao sulco inframamário orienta a classificação.

Ptose mamária é o nome dado à descida da mama e, principalmente, do complexo aréolo-mamilar em relação ao sulco inframamário, a dobra natural abaixo da mama. Em termos simples, é a “queda” da mama, que pode acontecer com perda de firmeza, alongamento da pele e mudança do formato ao longo do tempo.

A ptose mamária pode surgir com envelhecimento, gravidez, mudanças de peso, fatores hereditários e alterações do volume interno da mama. Nem sempre significa doença, mas pode gerar incômodo estético, dificuldade com roupas, assimetria percebida e, em alguns casos, desconforto físico quando há muito peso associado.

O que é ptose mamária

Do ponto de vista anatômico, a ptose mamária acontece quando a pele e as estruturas de sustentação da mama já não conseguem manter o tecido na posição anterior. O resultado pode ser uma mama mais alongada, com esvaziamento da parte superior, excesso de pele na parte inferior e mamilo em posição mais baixa.

Isso é diferente de apenas ter uma mama pequena ou com pouco volume. Uma mama pode ser pequena e não ter ptose, assim como pode ter volume razoável, mas apresentar queda importante. Essa distinção é essencial porque o tratamento muda conforme a posição do mamilo, a qualidade da pele e o desejo de aumentar, manter ou reduzir o volume.

Por que a mama “cai”

As causas mais comuns incluem envelhecimento da pele, ação contínua da gravidade, variações de peso e mudanças ligadas à gestação e ao período pós-parto. A mama pode aumentar e depois reduzir de volume, deixando a pele mais frouxa e o contorno menos firme.

A ptose mamária pode aparecer em mamas pequenas, médias ou grandes. Nas mamas mais pesadas, a tendência à queda pode ser maior, e resultados cirúrgicos também podem sofrer mais influência do peso do tecido ao longo dos anos.

Classificação da ptose mamária

Existem vários sistemas de classificação. Uma revisão sistemática publicada em 2023 identificou sete classificações e quatro técnicas de mensuração, mas destacou que a classificação de Regnault continua sendo a mais usada na prática para descrever o grau de ptose.

Na comunicação com pacientes, a classificação mais útil costuma separar a pseudoptose da ptose verdadeira. Na pseudoptose, o mamilo ainda pode estar acima do sulco inframamário, mas o volume da mama desce e se concentra mais abaixo, dando aspecto de mama caída. Na ptose verdadeira, o mamilo em si está baixo em relação ao sulco.

  • Pseudoptose: o mamilo permanece acima do sulco inframamário, mas a parte inferior da mama fica mais “cheia” e caída.
  • Grau I: o mamilo está no nível do sulco inframamário ou discretamente até cerca de 1 cm abaixo.
  • Grau II: o mamilo fica entre 1 e 3 cm abaixo do sulco inframamário.
  • Grau III: o mamilo fica mais de 3 cm abaixo do sulco ou chega ao polo inferior da mama, indicando queda mais acentuada.

Alguns cirurgiões usam sistemas mais detalhados, em centímetros, para planejar a cirurgia com mais precisão. Um exemplo é a proposta de Kirwan, que divide a posição do mamilo em estágios progressivos acima ou abaixo do sulco inframamário. Isso não substitui a avaliação clínica, mas ajuda no desenho da técnica e na previsão de cicatrizes.

Tratamento da ptose mamária

O tratamento da ptose mamária não é igual para todas as pacientes. A escolha depende do grau de queda, da qualidade da pele, do volume mamário, da simetria, da posição da aréola, do desejo de aumentar ou reduzir o tamanho da mama e da aceitação das cicatrizes necessárias.

Nem toda ptose precisa ser operada. Como a decisão é individual, algumas pacientes com queda leve preferem apenas observar, adiar a cirurgia ou rever o plano depois de estabilizar o peso e a fase hormonal. Quando há desejo de correção, a cirurgia costuma ser o método mais efetivo para reposicionar mamilo e tecido mamário.

Quando o objetivo principal é levantar a mama e reposicionar o complexo aréolo-mamilar, a cirurgia mais clássica é a mastopexia. Ela remove pele em excesso e remodela os tecidos para elevar a mama. Em muitos casos, a aréola também pode ser reduzida.

É importante alinhar expectativas: a mastopexia melhora posição e formato, mas não aumenta de maneira significativa o volume da mama. Por isso, a paciente que quer mais projeção ou maior preenchimento da parte superior da mama pode discutir associação com prótese. O implante aumenta volume, mas não corrige sozinho uma ptose importante; em quedas mais marcadas, a elevação costuma ser necessária junto ou em etapa separada.

Quando existe excesso de peso mamário associado à queda, dor, marcas de alça, assaduras ou desconforto funcional, a conversa muda de foco. Nesses casos, pode ser mais apropriado discutir mamoplastia redutora com elevação, porque não se trata apenas de levantar a mama, mas também de reduzir o volume e aliviar sintomas.

As cicatrizes variam conforme a técnica necessária. Em casos leves, podem ficar restritas ao redor da aréola. Em graus moderados e acentuados, podem incluir cicatriz vertical e, em algumas pacientes, também uma cicatriz no sulco da mama. Quanto maior a flacidez e o excesso de pele, maior tende a ser a necessidade de cicatrizes mais extensas para obter melhor reposicionamento.

Como a cirurgia é planejada

A consulta é parte decisiva do tratamento. O cirurgião costuma revisar histórico clínico, medicações, tabagismo, cirurgias prévias, exames mamários, antecedente familiar de câncer de mama e expectativa da paciente. Além disso, avalia tamanho, formato, qualidade da pele e posição de mamilo e aréola.

Nessa fase de pré-operatório e definição de anestesia, podem ser solicitados exames laboratoriais, avaliação clínica e, conforme idade e contexto, mamografia de base. Também é comum a orientação para parar de fumar e evitar medicamentos ou substâncias que aumentem sangramento, sempre de acordo com a prescrição médica.

O momento da cirurgia também importa. Gravidez futura, amamentação recente e grandes oscilações de peso podem alterar o resultado ao longo do tempo. Por isso, muitas equipes preferem discutir a mastopexia quando a mama já está em fase mais estável, especialmente após o fim da amamentação.

Riscos, limitações e recuperação

Como qualquer cirurgia, o tratamento da ptose mamária envolve riscos. Entre os principais estão sangramento ou hematoma, infecção, acúmulo de líquido, má cicatrização, assimetria, irregularidades de contorno, alteração temporária ou permanente da sensibilidade da mama ou do mamilo, necessidade de revisão cirúrgica e, raramente, perda parcial ou total da aréola e do mamilo.

Também existem limites naturais do procedimento. O envelhecimento continua, a gravidade segue atuando e novas gestações ou mudanças de peso podem modificar o formato mamário depois da cirurgia. Em outras palavras, a mastopexia melhora a anatomia atual, mas não “congela” o corpo no tempo.

Na recuperação, é comum usar curativos, bandagens e sutiã cirúrgico para reduzir edema e dar suporte às mamas. Algumas pacientes podem precisar de dreno temporário. O retorno às atividades varia, e as orientações sobre banho, medicações, esforço físico e acompanhamento devem sempre seguir o protocolo do cirurgião responsável.

Quando procurar avaliação médica

A ptose mamária é uma alteração anatômica e não explica todos os sintomas da mama. Se houver nódulo novo, retração recente do mamilo, secreção pelo mamilo, pele com aspecto de casca de laranja, vermelhidão persistente ou mudança súbita na mama, o correto é procurar avaliação médica sem atribuir automaticamente o quadro apenas à queda da mama.

Conclusão

Ptose mamária é uma condição comum e muito variável. O ponto central não é apenas dizer que a mama caiu, mas entender quanto caiu, onde está o mamilo, quanto volume existe, como está a pele e qual é o objetivo da paciente. Essa análise é o que define se a melhor estratégia será mastopexia isolada, mastopexia com implante, mamoplastia redutora ou apenas observação cuidadosa.

Perguntas frequentes

Ptose mamária é a mesma coisa que mama pequena ou esvaziada?
Não. A mama pode estar pequena ou menos cheia e ainda assim não apresentar queda importante do mamilo. A classificação considera sobretudo a relação do mamilo com o sulco inframamário, além do padrão de distribuição do tecido mamário.
Prótese sozinha corrige ptose mamária?
Nem sempre. O implante aumenta volume, mas a mamoplastia de aumento não corrige mamas severamente caídas. Em quedas mais marcadas, a elevação da mama costuma ser necessária junto ou em outra etapa.
Quando a mamoplastia redutora é mais indicada do que a mastopexia isolada?
Quando a queda vem acompanhada de excesso de volume e peso mamário, com desconfortos como atrito, dor ou marcas de sutiã, a redução com elevação costuma fazer mais sentido do que apenas levantar a mama.
Quais cicatrizes podem existir no tratamento da ptose mamária?
Depende do grau de ptose e da técnica escolhida. As incisões podem ficar apenas ao redor da aréola ou incluir traçado vertical e, em alguns casos, cicatriz no sulco mamário para permitir retirada de pele e melhor reposicionamento.
Posso engravidar ou amamentar depois da cirurgia?
Em geral, a possibilidade de amamentar pode ser preservada, mas algumas pacientes podem ter dificuldade de produzir leite suficiente. Além disso, gravidez futura e mudanças hormonais podem alterar novamente o resultado, por isso o momento da cirurgia deve ser bem discutido.
Ptose mamária aumenta risco de câncer de mama?
Ptose mamária não é, por si só, um sinal de câncer. Ainda assim, qualquer mudança nova na mama, como nódulo, secreção mamilar, retração recente do mamilo ou alteração importante da pele, merece avaliação médica.
A ptose pode voltar com o tempo?
Pode haver nova mudança de formato ao longo dos anos. Envelhecimento, gravidade, gravidez e oscilações de peso podem interferir no resultado tardio, especialmente em mamas mais pesadas.

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Fernando C. M. Amato (CRM-SP 133826 / RQE 34490) é cirurgião plástico formado pela Unifesp, Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Conteúdo educativo — não substitui avaliação médica presencial.

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