A mamoplastia de aumento é uma das cirurgias plásticas mais realizadas no mundo — e, ainda assim, escolher o tamanho ideal do implante segue sendo um dos maiores desafios da prática clínica. Neste artigo publicado internacionalmente, o Dr. Fernando Amato discute como a tecnologia de imagem 3D pode tornar essa decisão mais objetiva, segura e alinhada às expectativas da paciente.

O dilema da escolha do tamanho
A definição do que é um seio feminino ideal muda conforme o país, a cultura, a etnia e a idade. Por isso, a escolha do implante não pode ser puramente técnica nem totalmente delegada à paciente. É uma decisão colaborativa entre cirurgião e paciente.
O primeiro passo é ouvir os desejos da paciente — referências de tamanho, formato, número do sutiã, experiências de amigas. Em seguida, cabe ao cirurgião apresentar as possibilidades realistas, considerando anatomia, qualidade dos tecidos e proporção corporal.
“A imagem 3D simulada pode ajudar a paciente não apenas a decidir o tamanho do implante, mas também a altura, largura, projeção e formato.”
— Dr. Fernando Amato
Como funciona a simulação 3D
Com os avanços tecnológicos recentes, é possível reconstruir uma imagem tridimensional do tórax da paciente a partir de scanners a laser ou de câmeras estereoscópicas portáteis. Esses sistemas, antes restritos à indústria e pesquisa, hoje estão disponíveis para o uso clínico de cirurgiões plásticos.

Na nossa clínica utilizamos o sistema 3D LifeViz® da Quantificare, composto por uma câmera estereoscópica portátil e pelo módulo BreastShaper, que oferece:
- Documentação fotográfica 3D do pré e pós-operatório
- Medidas objetivas da mama e do tórax
- Simulação realista de diferentes volumes e projeções
- Simulação de implantes distintos para casos de assimetria

Limites honestos da simulação
O objetivo da simulação não é prometer um resultado definitivo. Há limitações claras: a gravidade, as características dos tecidos e a interação do corpo com o implante influenciam o resultado final. Ainda assim, a simulação 3D é uma alternativa viável e muito mais informativa do que os métodos tradicionais — como provadores de silicone dentro do sutiã.
Por que isso importa
Taxas elevadas de reoperação para troca de tamanho são inaceitáveis em mamoplastia de aumento — e ainda são uma realidade. Refinar o processo de escolha do implante, incorporando a simulação 3D, é um caminho real para reduzir frustração, retrabalho e risco cirúrgico.

Sobre o autor
Dr. Fernando Amato é cirurgião plástico, key opinion leader da indústria estética e atua como professor e palestrante internacional. Esta publicação integra a seção How I Do It, editada por Dalvi Humzah, cirurgião plástico, reconstrutivo e estético baseado em West Midlands, Inglaterra.