- Cirurgia plástica
Edema malar e festões: diferenças, causas e tratamento moderno
- By Fernando Amato
O edema malar e os festões são alterações estéticas da região abaixo dos olhos que frequentemente causam dúvida tanto em pacientes quanto em profissionais. Embora pareçam semelhantes à primeira vista, eles têm origens diferentes e, muitas vezes, coexistem no mesmo paciente. Essa sobreposição torna assim o diagnóstico e o tratamento mais desafiadores — e exige uma abordagem cuidadosa, individualizada e baseada em múltiplos níveis anatômicos.
Neste artigo, você vai entender então o que são essas condições, por que surgem, como diferenciar uma da outra e quais são as opções de tratamento mais modernas, incluindo abordagens cirúrgicas e não cirúrgicas.
O que é edema malar
O edema malar, também chamado de “malar mound”, é um acúmulo de líquido e/ou tecido na região da maçã do rosto, logo abaixo da pálpebra inferior. Ele pode dar a impressão de inchaço persistente, mesmo em pessoas jovens.
Portanto, do ponto de vista técnico, trata-se de uma alteração na drenagem linfática e na retenção de fluido em um compartimento específico da face. Em termos simples, é como se houvesse uma dificuldade do organismo em “escoar” líquidos daquela região.
Entre os principais fatores associados estão:
- Envelhecimento da pele e dos tecidos profundos
- Flacidez muscular
- Alterações na drenagem linfática
- Uso prévio de preenchedores faciais
- Genética
O que são festões
Os festões são dobras mais evidentes e estruturadas na região abaixo dos olhos, geralmente com aparência de bolsas mais marcadas e pesadas. Diferentemente do edema malar, eles envolvem não apenas líquido, mas também pele e músculo flácidos.
Em termos técnicos, há contudo uma redundância (excesso) de pele e relaxamento do músculo orbicular dos olhos — o músculo que circunda a pálpebra.
Na prática, os festões costumam:
- Ser mais visíveis ao sorrir
- Ter aspecto de “bolsa caída”
- Persistir mesmo com repouso
Por que é difícil diferenciar edema malar e festões
Na maioria dos pacientes, não existe uma separação clara entre essas duas condições. É comum haver uma combinação de:
- Acúmulo de líquido (edema)
- Flacidez muscular
- Excesso de pele
Por isso, muitos especialistas optam por tratar ambos de forma integrada, ao invés de tentar classificá-los rigidamente. Essa visão moderna evita tratamentos incompletos e melhora os resultados.
Principais causas — com destaque para os preenchedores
Uma das mudanças mais relevantes nos últimos anos foi então o aumento de casos relacionados ao uso de preenchedores com ácido hialurônico.
Embora sejam amplamente utilizados e seguros quando bem indicados, esses produtos podem causar:
- Retenção de líquido na região malar
- Compressão dos canais linfáticos
- Irregularidades no contorno facial
Hoje, muitos especialistas consideram os preenchedores a causa mais comum de edema malar adquirido.
Quando isso ocorre, a conduta pode assim incluir a aplicação de hialuronidase — uma enzima que dissolve o produto — antes de qualquer abordagem cirúrgica.
Avaliação antes do tratamento
Antes de definir o tratamento, é essencial uma avaliação completa, que pode incluir:
- Análise da qualidade da pele
- Grau de flacidez muscular
- Histórico de procedimentos estéticos
- Presença de preenchedores ou enxerto de gordura
Essa etapa é tão importante quanto o tratamento em si. Inclusive, exames pré-operatórios detalhados são fundamentais, como explicado em pré-operatório
Tratamentos não cirúrgicos
Nem todos os casos exigem cirurgia. Em situações leves ou iniciais, algumas opções podem ajudar:
- Drenagem linfática
- Laser de CO₂ para melhora da pele
- Dissolução de preenchedores com hialuronidase
- Ajustes pontuais com preenchimento profundo (em casos específicos)
No entanto, esses métodos têm limitações. Quando há flacidez estrutural, o resultado tende a ser parcial.
Tratamento cirúrgico moderno do edema malar e festões
Nos casos moderados a avançados, a abordagem cirúrgica costuma oferecer resultados mais consistentes.
Uma das técnicas mais completas envolve a combinação de procedimentos que atuam em diferentes camadas da face.
Ritidoplastia em plano profundo (deep-plane facelift)
A ritidoplastia moderna não trata apenas a pele. Ela atua também no SMAS (Sistema Músculo-Aponeurótico Superficial), uma camada profunda responsável pela sustentação facial.
Ao reposicionar essa estrutura, é possível:
- Melhorar a transição entre pálpebra e bochecha
- Reduzir o aspecto de “peso” na face
- Suavizar festões e edema malar
Esse conceito também aparece em outros procedimentos de contorno facial, como a mamoplastia e a mastopexia, onde o suporte estrutural é essencial para resultados duradouros.
Sling do músculo orbicular dos olhos
Uma das técnicas mais importantes é o chamado “orbicularis sling”.
Trata-se de uma suspensão do músculo ao redor dos olhos, que é tracionado e fixado em posição mais elevada.
Os benefícios incluem:
- Melhora do suporte da pálpebra inferior
- Redução da flacidez muscular
- Contorno mais harmonioso da região
Essa técnica pode ser realizada durante a blefaroplastia ou até mesmo isoladamente em casos selecionados.
Cantopexia e suporte palpebral
A cantopexia é um procedimento que reforça o canto lateral do olho (região externa da pálpebra).
Ela é especialmente importante para prevenir complicações como:
- Ectrópio (pálpebra virada para fora)
- “Scleral show” (exposição excessiva da parte branca do olho)
Em pacientes de maior risco, podem ser utilizadas medidas adicionais, como:
- Tarsorrafia temporária
- Sutura de Frost
Essas técnicas ajudam a proteger a pálpebra no pós-operatório.
Importância da anestesia e ambiente cirúrgico
A segurança do procedimento depende também de fatores assim como anestesia adequada e estrutura hospitalar.
Saiba mais sobre esses aspectos em anestesia e hospital-dia
Complicações possíveis
Como qualquer cirurgia, há riscos que devem ser considerados:
- Edema prolongado
- Assimetria
- Ectrópio
- Cicatrizes visíveis (raras em técnicas modernas)
Por isso, a escolha de um profissional qualificado e o seguimento adequado são fundamentais.
Cuidados antes e depois da cirurgia
O preparo adequado melhora significativamente os resultados.
Antes da cirurgia:
- Evitar tabagismo, conforme orientado em riscos do tabagismo
- Seguir orientações alimentares, como em dieta
- Realizar todos os exames solicitados
Após a cirurgia:
- Manter repouso relativo
- Evitar exposição solar
- Seguir corretamente as orientações médicas
Veja orientações gerais em dicas para se preparar.
E o enxerto de gordura?
O enxerto de gordura pode ser útil em alguns casos, mas deve ser feito com cautela.
Quando realizado em excesso, pode causar:
- Irregularidades
- Nódulos
- Aumento do edema malar
A tendência atual é ser conservador, evitando “supercorreção”.
Excisão direta de festões
Em casos selecionados, especialmente quando os festões são bem definidos, a remoção direta pode ser considerada.
Essa abordagem é mais direta, mas exige experiência para evitar cicatrizes visíveis.
O que diz a literatura médica
Estudos mostram que o tratamento mais eficaz geralmente envolve abordagem combinada — pele, músculo e estruturas profundas.
Uma revisão disponível no PubMed destaca que técnicas que reposicionam o SMAS e reforçam assim o suporte muscular tendem a apresentar resultados mais duradouros e naturais.
Conclusão
Em suma, o edema malar e os festões são condições complexas, que frequentemente coexistem e exigem uma abordagem individualizada.
Contudo, o tratamento moderno vai além da pele, atuando em múltiplos níveis da face para restaurar o suporte e o contorno natural.
Assim, a escolha da técnica depende de diversos fatores, e a avaliação com um cirurgião plástico experiente é indispensável para definir a melhor estratégia.
FAQ
O que é edema malar?
É um acúmulo de líquido na região da maçã do rosto, abaixo dos olhos.
Festões são a mesma coisa que bolsas nos olhos?
Não exatamente. Festões envolvem pele e músculo flácidos, enquanto bolsas podem ser apenas gordura.
Preenchimento pode causar edema malar?
Sim. O ácido hialurônico pode interferir na drenagem linfática e causar inchaço persistente.
Todo edema malar precisa de cirurgia?
Não. Casos leves podem ser tratados com medidas não cirúrgicas.
O que é o sling do músculo orbicular?
É uma técnica que reposiciona o músculo ao redor dos olhos para melhorar o suporte da pálpebra.
A cirurgia deixa cicatriz?
As cicatrizes são geralmente discretas e bem posicionadas.
Quanto tempo dura o resultado?
Depende da técnica e do paciente, mas procedimentos estruturais tendem a durar mais.
É possível tratar apenas com laser?
O laser ajuda na pele, mas não resolve flacidez muscular significativa.
O que é ectrópio?
É quando a pálpebra inferior fica virada para fora.
Como saber qual tratamento é ideal?
A avaliação com um especialista é essencial para definir a melhor abordagem.
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