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LipedemaPublicação científicaAesthetic Plastic Surgery · Springer

Seroma após lipoaspiração no lipedema: análise de 93 casos da nossa equipe

Estudo retrospectivo publicado em Aesthetic Plastic Surgery (Springer) analisa fatores de risco para seroma pós-operatório em 93 pacientes operadas de lipedema pela equipe do Dr. Fernando Amato.

FAAmato F.C.M., Amato L.G.L., Amato A.C.M., Benitti D.A. Fevereiro de 2026 8 min de leitura

A lipoaspiração é hoje a intervenção mais eficaz no controle do lipedema — uma doença crônica do tecido adiposo que afeta principalmente mulheres, causando dor, edema e prejuízo funcional. Mas, como toda cirurgia, ela tem complicações. Nosso estudo, publicado em Aesthetic Plastic Surgery (Springer / ISAPS, 2026), analisou 93 pacientes operadas pela nossa equipe entre 2019 e 2024 para entender quem realmente tem risco de desenvolver seroma pós-operatório.

Primeira página do artigo publicado em Aesthetic Plastic Surgery
Primeira página do artigo publicado em Aesthetic Plastic Surgery (Springer, 2026). DOI: 10.1007/s00266-026-05774-7.

O que é o seroma — e por que importa

O seroma é um acúmulo de líquido seroso nos espaços teciduais após cirurgia. No lipedema, ele não costuma colocar a vida em risco, mas pode atrasar a recuperação, exigir punções e impactar o resultado final. Identificar quais pacientes têm maior risco é essencial para planejar melhor cada cirurgia.

Como o estudo foi feito

  • Estudo observacional retrospectivo, unicêntrico
  • 93 pacientes mulheres com lipedema, operadas entre abril/2019 e janeiro/2024
  • Aprovação ética: CAAE 86155524.0.0000.5455
  • Variáveis analisadas: idade, IMC, estágio clínico, tipo de anestesia, volume aspirado, % do peso corporal removido, tecnologias adjuvantes (ultrassom, laser, radiofrequência) e procedimentos associados
  • Desfecho primário: ocorrência de seroma pós-operatório

O que encontramos

Das 93 pacientes, 17 (18,3%) desenvolveram seroma. Complicações maiores foram raras: 1 infecção e 1 hematoma (1,07% no total). Nenhuma trombose venosa profunda, embolia pulmonar, necrose ou anemia grave.

Segunda página do artigo com seção de métodos
Segunda página — critérios de inclusão, exclusão e protocolo cirúrgico.

Três fatores de risco independentes para seroma

A análise de regressão logística multivariada identificou três preditores independentes:

  • Volume aspirado relativo ao peso corporal — cada 1% a mais aumentou as chances de seroma em ~1,6x (OR 1,58; IC95% 1,02–2,43; p = 0,040)
  • Procedimentos menores associados — pacientes com cirurgia concomitante tiveram risco quase 7x maior (OR 6,77; IC95% 1,70–26,97; p = 0,007)
  • Estágio clínico do lipedema — risco 3,57x maior por estágio (IC95% 1,22–10,46; p = 0,021)

IMC, idade, tipo de anestesia e número de sessões cirúrgicas não foram preditores significativos.

Página com tabela de regressão multivariada e discussão
Tabela 3 — análise de regressão logística multivariada para formação de seroma.

Nenhuma paciente operada com lipoaspiração assistida por ultrassom desenvolveu seroma — ainda que essa diferença não tenha atingido significância estatística e deva ser tratada como hipótese a ser confirmada.

Ultrassom: um sinal promissor

Das 14 pacientes tratadas com lipoaspiração ultrassônica (Lipossound), zero apresentaram seroma, contra 17 de 76 (18,4%) no grupo sem ultrassom (p = 0,065). O subgrupo é pequeno e o achado é exploratório, mas é consistente com a literatura que sugere que o ultrassom promove emulsificação uniforme, melhora a retração tecidual e pode preservar melhor as estruturas linfáticas.

O que isso muda na prática

  • Planejar o volume com cuidado: aspirar mais de 7% do peso corporal em uma sessão aumenta significativamente o risco de seroma — vale considerar fracionar em mais tempos cirúrgicos
  • Pesar bem cirurgias associadas: mesmo procedimentos menores, somados à lipo de lipedema, multiplicam o risco
  • Considerar tecnologias adjuvantes: o ultrassom mostrou um sinal protetor que reforça nossa prática de usá-lo em casos selecionados
  • Manter vigilância prolongada: a maioria dos seromas só foi diagnosticada depois da segunda semana — por isso acompanhamos cada paciente por pelo menos 1 mês com ultrassom

Conclusão

A lipoaspiração para lipedema continua sendo segura e eficaz, com taxa muito baixa de complicações graves. O seroma é a complicação mais frequente e está ligado, principalmente, ao volume aspirado, à presença de cirurgias associadas e ao estágio clínico da doença. Esses achados nos ajudam a individualizar cada plano cirúrgico — e apontam o ultrassom como uma tecnologia que merece estudos prospectivos dedicados.

Como citar

Amato FCM, Amato LGL, Amato ACM, Benitti DA. Postoperative Seroma in Lipedema Surgery: A Retrospective Analysis of 93 Cases from a Single Surgical Team. Aesthetic Plastic Surgery (2026). DOI: 10.1007/s00266-026-05774-7.

Artigo original em PDF

Postoperative Seroma in Lipedema Surgery

Versão integral publicada em Aesthetic Plastic Surgery (Springer, 2026), com tabelas e referências.

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