
O lipedema, condição que afeta predominantemente mulheres e se caracteriza pelo acúmulo desproporcional de gordura nos braços, coxas e pernas, continua sendo subdiagnosticado no Brasil. Apesar de sua prevalência significativa, muitas pacientes passam anos sem o diagnóstico correto, confundindo a condição com obesidade ou problemas circulatórios.
Sintomas que diferenciam o lipedema
Além do acúmulo de gordura, o lipedema tem sintomas característicos que o diferenciam de outras condições:
- Sensibilidade e dor ao toque nas áreas afetadas
- Surgimento de equimoses (hematomas) com facilidade
- Sensação constante de peso e cansaço nas pernas
- Fadiga generalizada
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico correto do lipedema depende de uma boa anamnese (conversa detalhada com a paciente) e exame físico minucioso. Exames como ultrassom e ressonância magnética são complementares, auxiliando no diagnóstico e excluindo doenças e comorbidades associadas, contribuindo para o plano de tratamento.
Por que dieta e exercício não bastam
Diferentemente da gordura comum, a gordura do lipedema responde muito pouco às dietas convencionais e exercícios físicos. Embora hábitos saudáveis sejam importantes para o controle da condição, geralmente não são suficientes como tratamento único. O tratamento varia conforme o estágio da doença e pode incluir medicamentos, suplementos, dieta adequada, fisioterapia, drenagem linfática, meias compressivas e até lipoaspiração.
Tratamento multidisciplinar
O tratamento eficaz do lipedema envolve uma equipe multidisciplinar de especialistas, composta por cirurgião vascular, endocrinologista, nutricionista e fisioterapeuta, para oferecer um cuidado completo às pacientes.
A cirurgia é a última opção. Somente após tentar o tratamento clínico — e, de preferência, apresentando alguma melhora, mesmo que parcial — deve ser indicada a lipoaspiração. É preciso respeitar os limites de gordura a serem retirados durante a cirurgia, que devem ser entre 5% e 7% do peso corporal da paciente.
Não existe cura para o lipedema, mas é possível e necessário resgatar a qualidade de vida da paciente por meio de tratamentos adequados e personalizados.
É celulite ou lipedema?
Muitas pacientes acreditam ter celulite quando, na verdade, podem estar lidando com outro problema, como flacidez da pele. A celulite é uma alteração na estrutura do tecido adiposo e conjuntivo, que leva à formação de ondulações e depressões. Geralmente apresenta-se como depressões pontuais; quando essas ondulações aparecem na coxa como uma linha inteira, é mais provável já ser flacidez de pele.
No lipedema, a paciente pode apresentar celulite e flacidez de pele ao mesmo tempo, especialmente quando se inicia o tratamento e a perna começa a diminuir de volume, evoluindo para flacidez.
Lipedema e linfedema: doenças distintas
Lipedema e linfedema são geralmente confundidos, mas são doenças diferentes. O lipedema caracteriza-se pelo acúmulo de gordura nos braços, coxas e pernas. Já o linfedema está relacionado a uma falha no sistema linfático e se caracteriza pelo acúmulo anormal de líquido linfático em determinadas áreas do corpo, como braços e pernas, causando inchaço persistente.
Embora não tenha cura, o linfedema tem tratamento. A drenagem linfática — que difere da aplicada em centros de estética — é uma das terapias indicadas. Cuidados locais da pele e terapias de compressão fazem parte da linha de tratamento.
Fernando C. M. Amato (CRM SP 133826) é médico com mestrado pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP). Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, membro da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) e da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPS). Texto publicado originalmente na Revista CARAS, edição 1.668 (31/10/2025).